08 November, 2010

Qualquer Dia, Quem Diria






Quando vi o “Quem sabe um dia” da Concha pensei imediatamente na Shelley Duvall. Ambas fazem parte daquele universo feminino e frágil que raspa o patético, mantendo-se, sempre, encantador.

Lembro-me de uma discussão acesa, com Filipe de Colofon, sobre estética. Bonito e feio. Discutíamos o quão esquisita era esta dicotomia. E, quando estávamos quase convencidos de que tínhamos chegado a uma certeza sobre a apreciação do belo : a subjectividade. Eis que Colofon me confronta : “ Rita, mas é indiscutível, quer para um índio do amazonas quer para um citadino de Chicago que o pôr do sol no deserto do Sahara é lindíssimo.” É verdade, pode até ser parolinho mas feio, tipo: “Oh o nascer do sol? Raios, isso é feio, esquece lá isso”. Hmm… Não.

Na cultura ocidental a BB e a Kate Moss são lindas de morrer, mas isso é tão óbvio que se torna aborrecido . Precisamos de Shelleys Duvalls e Conchas para nos inspirarem! Não falo do tão aclamado “ugly beauty”, porque esse é subjectivo. Mas falo de gestos, de formas de mexer e estar, de um sexy pouco óbvio, que ambas as criaturas retratadas partilham.

2 comments:

  1. E a Frances Mcdormand? A questão estética dos por do sol é controversa porque é uma contemplação que não resulta da Natureza mas sim da Arte. O que é verdade é que existem belezas indiscutíveis e objectivas e se existem podemos abandonar o cliche de que a beleza é subjectiva! Não, por vezes a beleza é objectiva, mesmo quando não toca o sentimento. A beleza também é ensinada, é isso que implicitamente David Hume nos diz.

    Proponho um tópico para o proximo Post: Belezas Indiscutiveis: Pessoas; Arte; Filmes; Música.

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  2. A Frances Mcdormand é feiinha.

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